Sobre a frustração..

Janeiro 19, 2009 por Anna Carolina

Depois de muito tempo, agora retomo o blog. Não estranhem ao ler o texto abaixo. É assunto batido, gasto, mas eu não poderia deixar de ter um registro da minha percepção sobre ele. Então aí, vai!!

O que é mais frustrante?

a) Ficar mais de um ano trabalhando e dando o seu sangue para fazer um bom estágio em uma empresa e depois não ser efetivada; ou

b) Passar dias e noites estudando para passar em uma faculdade pública e passar, estudando durante 3 anos, em período integral, para ter uma boa formação – e ter – e depois ficar desempregada.

Ambas as alternativas são terrivelmente frustrantes. Não que eu ache se as coisas devam ser fáceis ou coisa assim, nunca quis nada fácil….mas é que este tipo de coisa desmotiva e muito. Mata o espírito aventureiro e sonhador.

Onde já se viu? Trabalhar em uma empresa que te paga um quarto do que você merece ganhar e fazer as mesmas coisas – ou até mais – que uma pessoa que ganha quatro vezes mais do que você (até aí, tudo bem.. afinal, é um aprendizado.. )e como se não fosse o bastante, ainda desconsiderarem tudo isso e não te contratarem, só porque continuar contratando estagiários para uma função que deveria ser efetiva é mais barato… Nada pessoal. São negócios!!

Claro que no caso dos estagiários de 2008, isto teve muito a ver com a crise.

Aliás, o que é essa crise se não um conseqüência da Globalização? Nada o que acontece hoje em dia é um fato isolado. Tudo traz conseqüências para o mundo tudo.

A Globalização que nos deu muito e agora nos tirou muito também.

É como a estória do vendedor de cachorro-quente, que fazia um sucesso tremendo com seus lanches e obtivera muito sucesso com eles, pois os fazia com os melhores ingredientes e com muita motivação e dedicação. Ao saber da crise, começou a comprar uma salsicha mais barata e parar de investir em propagandas para baratear o produto.

O produto barateou e qualidade do cachorro-quente caiu. As pessoas, vendo a queda de qualidade do produto e a falta de motivação daquele homem, pararam de comprar seu produto. E a motivação baixou cada vez mais.

Se ninguém tivesse ficado sabendo da crise imobiliária nos USA, ou da quebra de tantos bancos importantes, os consumidores não parariam de consumir por pura insegurança, as empresas não parariam a produção, não demitiriam tantas pessoas e não abririam seus PDVs, os bancos não ficariam mais rigorosos em relação a financiamentos e aí, haveria mais consumo e mais empregos.

Bom, e é isso!! É frustrante, claro que é, para os ingressantes no mercado de trabalho ver todo este caos. Mas está difícil para todos!! Pior está sendo para aqueles que trabalharam duro, por anos e tiveram seus empregos extinguidos. Temos que continuar tentando, fazendo o melhor de nós. sem pensar nessa crise. Sem nos deixar abater e é isso o que faremos, pois precisamos.

Mas o Brasil tem que se dar conta de que nós, consumidores, somos o fim da cadeia produtiva. Se não exercermos nosso papel – o de comprar, de consumir- nenhum dos agentes anteriores conseguiram fazer o seu: produzir, montar, editar, vender… E isso se voltará contra nós, pois empregos serão perdidos. Portanto, vamos esquecer desta crise e retomar nossas vidas, sem medo. Vamos parar de ler o noticiário e procurar notícias na Internet sobre a bolsa. Tem coisas que é melhor não ficar sabendo.

Sirene

Fevereiro 4, 2008 por Anna Carolina

Estou numa quadra bem iluminada, todos estão olhando em minha direção. O juiz apita, lá vem o saque. A bola bate na rede e volta. Wara que acabou de sacar fica com o rosto ainda mais vermelho – isso sempre acontece quando ela se irrita -. Ponto nosso! Faz-se a rotação. É minha vez de sacar.

Paro com a bola na mão, batendo-a contra o chão, fazendo-a quicar, como sempre faço, olho para a arquibancada e vejo minha mãe, ela se levanta e diz algo que não consigo entender. Não dou a mínima. Bato a bola no chão e espero o apito. O silêncio toma conta da quadra por um segundo mas logo é quebrado pelo barulho de sirenes. O som aumenta cada vez mais e não me deixa ouvir o apito. Vou me afastando da quadra, os rostos vão desaparecendo – estiveram ali? Não me lembro. Estou no meu quarto, agora e as sirenes ficam ensurdecedoras. Acordo assustada. O som vem da rua.

Qual será a desculpa para o crime agora? “Ele passava fome, tinha que sobreviver”, “Os filhos dele não tinham o que comer”, “ele é louco, não sabe o que faz” (essa é a pior, de acordo com o código civil, pessoas loucas não são responsáveis pelos seus atos. Tem louco é mais esperto do que se imagina. Fazem o que querem, não têm legitimidade penal, dá uma nota de cem na mão deles para ver se eles rasgam.) – Todas essas desculpas, usadas para a defesa de infelizes que não percebem a discrepância entre ter razão para roubar (fome, pobreza.. ) e, efetivamente cometer o crime. Uma coisa não justifica a outra.

Mas dessa vez, não há justificativas. Nenhum silogismo, por mais defeituoso e inválido que seja, consegue convencer um júri a livrar da culpa, um marginal de classe média acusado de roubos, acompanhados por formação de quadrilha, extorsão, tráfico de drogas e suspeita de homicídio. Ele nunca passou fome, estudava em escola particular para não se misturar com a gentalha, seus brinquedos eram os melhores da turma. Não era como a estória de João de Santo Cristo, bonita, romântica e heróica. Era bem diferente, talvez mais parecida com a de João Guilherme – menos o senso de humor, a popularidade e a culpa – aos dez anos, quando ainda era uma criança, ele já tinha roubado um joguinho de videogame, aqueles do Mega Drive, acho que era Sonic – talvez não. Pode parecer coisa simples, um joguinho, acontece que ele fazia coisas assim instintivamente, não por más influências. Estas vieram depois.

Sua mãe, uma mulher fútil e despreocupada com os valores familiais. Nunca a vi com ele, aliás, com nenhum de seus filhos. Eles eram em 5, assim como eu e meus irmãos, O mais velho já era casado, a menina tinha virado dançarina de boate, dos outros, não sei muito, moravam com o pai. E ele, ainda era um menino de doze anos. Começou a se envolver com marginais, a usar drogas e sair todas as noites – claro que sua mãe nem tinha se dado conta disso, ela estava pelos bares e bingos da cidade -, chegava em casa sempre bem acompanhado – meninos maltrapilhos com os olhos vermelhos – e como não trabalhava e estava de férias de escola, ia dormir para continuar com a sua rotina de pernoites na próxima madrugada.

Em 2004, ele foi preso. Acusação: Formação de quadrilha, roubo, tráfico de drogas e ainda havia suspeita de homicídio, segundo o pessoal da rua comentava incessantemente. Sua irmã se casou e sua mãe parou de sair tanto – não que isso fosse trazê-lo de volta da FEBEM, foi mais uma conseqüência inevitável.

No mês de dezembro de 2007, ele saiu devido a bom comportamento e falta de provas para proceder com a denúncia de homicídio da qual fora suspeito. Tinha mudado muito, seu rosto já não era gordinho e seu cabelo já não era tijelinha, agora era um rapaz alto, magro, com o cabelo raspado, o rosto cheio de cicatrizes e o olhar vago. Sua mãe já tinha recuperado a vontade antiga de farrear, há algum tempo.

No dia do Ano Novo, um carro de polícia passou com a sirene tocando e logo, todos já estavam sabendo que ele tinha roubado um carro. Dessa vez, ele já era maior de idade, foi para a prisão. Sua mãe foi a última a saber do fato. Ela estava na praia quando tudo aconteceu.

Hoje, as sirenes que soam não são de um carro de polícia, mas sim de uma ambulância. Uns homens trajados de preto descem e batem na porta da casa ao lado. Uma senhora de roupão atende. É dada a notícia e começa-se o espetáculo. Choro, gritaria, xingos e acusações formam o cenário. Penso no que deve ter passado pela cabeça dela. Ele nascendo, dando seus primeiros passos, dizendo a primeira palavra – mamãe, talvez -. A primeira reclamação na escola, o primeiro roubo (aquele do joguinho, acredito eu), a primeira discussão, o primeiro xingo, a primeira acusação, a primeira prisão e agora… sua morte. Fico imaginando se ela sente culpa. Culpa de não ter sido mãe quando era hora. Agora todos estão na rua, comentando pesarosos ou não, quão trágica foi essa estória, enquanto ela sai com a ambulância ao encontro de seu filho.

Playing the game

Fevereiro 4, 2008 por Anna Carolina

A vida, ao contrário do que as pessoas pensam, é boa.

O que acontece é que nem sempre temos a capacidade, ou mesmo a sensibilidade de ver as coisas boas que ela nos reserva, perdendo assim, muitas oportunidades, oportunidades que não voltam nunca, já foi! Passou! Perdeu, playboy!

Eu, como todo mundo, já perdi muitas delas, já me frustrei, já chorei, já decepcionei e fui decepcionada – “Everybody hurts and everybody cries”. Não tem como escapar. Faz parte da vida, faz parte do desenvolvimento pessoal de cada um. Coisas pelas quais temos que passar.

Mas quando se tem calma e perseverança, as coisas se ajeitam, ninguém pode voltar no tempo e consertar as coisas, mas tudo se ajeita, tudo tem jeito, talvez não o jeito que queremos que tenham, mas a vida “Não é um livro que você pode colorir com suas cores preferidas”(Hosseini, Khaled: O caçador de pipas), é preciso ter discernimento para aceitar quando é hora de aceitar e para mudar quando é hora de mudar.

O estranho é ver como coisas simples como sortear a faculdade que será cursada – algo que, sem dúvida, decide a sua vida (ironias a parte, foi o que eu fiz, não tinha o menor embasamento para discernir e decidir sozinha) – muda tudo, totalmente.

Sorteei. Fatec é a opção. “ah, não! Vai de novo!”

Sorteia de novo: Fatec

De novo: Fatec

Última vez, eu juro!: Fatec

Então, escolhe-se o rumo de uma vida toda, com a fé de que é para ser… simplesmente, tem que ser assim.

Primeiro dia de aula: Fiz amizade com três meninas que estão no meu coração… tiro certeiro, achar amigas de verdade no primeiro dia. Hoje somos em cinco…com uma delas, conversei na matrícula e depois, numa situação estranha – ela perdeu a jaqueta e veio perguntar se alguma de nós, do grupo, tínhamos visto, eu estava com uma igualzinha – viramos amigas, e é assim até hoje.

Primeiro dia de estágio, na faculdade mesmo: Encontrei o amor da minha vida. Ele é a pessoa mais atenciosa, mais fascinante e interessante que eu já conheci. No primeiro dia em que nos vimos, um professor nos disse “Vocês vão casar”, viramos amigos, depois namorados e hoje, é ele que alegra os meus dias, tardes e noites… ele, minha família e meus amigos.

Às vezes, dá pânico sentir tanta felicidade…. medo de acabar, sei que um dia vai acabar, tudo acaba – tout sera fini – mas não agora, não assim.

Isso é o que sinto hoje, felicidade. Por ter estudado hard na época do colégio e passar no vestibular. Por ter fé e calma para seguir com a vida depois de passar por um período conturbado e, acima de tudo, por ser indecisa e fazer sorteios rsrsrsrs. Esse método foi adotado por mim depois desse dia. hahahhaha

No primeiro post vou acabar como minha querida amiga “rélly” – É isso!